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Em 10 horas chove mais de um mês em João Pessoa

Quarta, 25 de Janeiro de 2012 10h02
Priscylla Meira
E-mail: priscyllameira.pb@dabr.com.br

Em pouco mais de 10 horas, a cidade de João Pessoa registrou um volume de chuvas superior ao que era esperado para o mês inteiro na Capital. Da madrugada até o final da manhã de ontem, o volume de água foi de 98,2 milímetros, enquanto a média esperada para todo o mês de janeiro era de 80 mm. O número registrado num único dia corresponde também à metade (53%) do volume total de chuvas que caiu na cidade desde o primeiro dia do ano. 

Bastou uma madrugada de chuva para a Defesa Civil de João Pessoa registrar diversos pontos de alagamento, com rios transbordando, e precisar relocar mais oito famílias de suas casas para escolas públicas. No Parque Solon de Lucena, a Lagoa transbordou e a água chegou até as paradas de ônibus. Na Avenida Epitácio Pessoa e em frente à Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), duas árvores chegaram a cair e foram registrados pontos de alagamento, que provocaram uma série de congestionamentos na cidade. 

Na Comunidade Riachinho, no Bairro Padre Zé, os moradores precisaram levantar bem mais cedo da cama para tentar conter a água que transbordou do chamado Rio da Bica, que invadiu as casas que ficam às margens do estuário. A dona de casa Maria das Dores Pereira, 31, passou a noite em claro com seus dois filhos, de um e de quatro anos, por causa do volume d'água que fez o colchão da cama flutuar. 
"A gente acordou de 1h da madrugada com a água tomando conta de toda a casa. Ainda tentei tirar a água com um balde, mas foi tanta chuva que eu tive que desistir. O colchão que a gente dormia chegou a boiar", contou Maria das Dores. A família da dona de casa foi uma das oito que recebeu o aviso da Defesa Civil na manhã de ontem para deixar o imóvel na beira do rio e ser relocada para a Escola Municipal Maria Quitéria, que fica próximo ao local.

No prédio da escola, as oito famílias que estavam em situação de vulnerabilidade e foram relocadas da Comunidade Riachinho, devem receber alimentação, colchões e lençóis, até receberem um auxílio-aluguel, no valor de R$ 200 para se mudarem para outra residência, em local seguro. 

"Vamos garantir todo suporte com proteção, alimentação e higiene para essas famílias que estavam em situação de risco e precisaram ser transferidas. Até elas receberem o auxílio-aluguel ou serem transferidas para unidades em algum conjunto habitacional popular, a Prefeitura vai dar esse suporte", explicou o adjunto da Secretaria de Desenvolvimento Humano de João Pessoa, Antônio Jácome. 
A dona de casa Cristina Dias dos Santos, 37, que mora na Comunidade Riachinho, também não conseguiu dormir durante a madrugada de ontem, por causa das chuvas. "A gente acordou com a água derrubando as telhas da casa e passamos a noite toda na frente de casa, debaixo dos guardas-chuva, enquanto meu marido tentava consertar o telhado", disse Cristina, que divide um casebre feito de taipa e placas de madeira com seu marido e mais cinco filhos. 

Chuvas devem diminuir

De acordo com a metereologista Marle Bandeira, da Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado, apesar da intensidade das chuvas, o volume de água ainda está dentro da normalidade para o mês de janeiro. "É comum a ocorrência de chuvas nesta época do ano, que geralmente supera a média de 80mm. Mas, nas próximas 48 a 72 horas, deve haver uma redução desse volume", afirma.  

Nas ruas de João Pessoa, os alagamentos só devem diminuir com a redução do volume das chuvas. O secretário adjunto da Infraestrutura do município (Seinfra), Luiz Rabelo, informou que o volume de água que transbordou no anel interno da Lagoa foi provocado pela alta da maré e que não há soluções há curto prazo para resolver o problema.

"Toda a água que deveria ser drenada e escoada retornou por causa do nível da maré, que estava alto durante a madrugada. Isso interfere também na drenagem de outras ruas do Centro, como na Avenida Pedro II, onde a água que deveria ser drenada para a maré fica acumulada na rua. Quando a maré baixou, pela manhã, o nível de água também diminuiu", explicou.
 
Rabelo informou que a Prefeitura de João Pessoa está realizando uma obra de drenagem na Avenida Vasco da Gama, em Jaguaribe, que seguirá pela Avenida Coremas e vai beneficiar a Avenida D. Pedro II, até a Maternidade Cândida Vargas. "A população também precisa colaborar, evitando jogar lixo na rua, para não obstruir as galerias", ressaltou.

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    Foto: Ovídio Carvalho/ON/D.A Press

    A Lagoa do Parque Sólon de Lucena transbordou e a água chegou até as paradas de ônibus

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